Costa Dorata

Densidade de lotes por hectare: como comparar projetos

Densidade, num condomínio de lote, é uma razão: o total de lotes dividido pelos hectares da gleba. Ela diz quantos terrenos couberam em cada hectare de gleba, e costuma ser confundida com a taxa de ocupação, que mede o quanto de casa cabe dentro do próprio terreno. Duas glebas com lote de 450 m² podem parar em números muito distantes.

Implantação do AVA Residences em Maquiné, com as quadras identificadas de A a M distribuídas pelos 50 hectares da gleba, o canal e a marina
Uma implantação mostra a conta antes de qualquer tabela: o desenho separa o que virou lote do que virou via, água e área comum dentro da mesma gleba.
  • A conta: total de lotes dividido pela área da gleba em hectares
  • Amplitude apurada: de 4,0 a 19,8 lotes por hectare
  • Fichas completas: 32 empreendimentos de lote publicam os dois números
  • Fichas incompletas: outros 13 publicam só um deles, ou nenhum
  • Caso mais recente: AVA Residences, da Dorata, com 302 lotes em 50 hectares

Como a razão entre lotes e hectares se calcula

Dois dados bastam, e os dois costumam estar na primeira página de uma ficha de empreendimento: quantos lotes o projeto abre e quantos hectares a gleba tem. Dividir um pelo outro devolve lotes por hectare, e o resultado diz, numa linha só, quanta gleba cada terreno carrega atrás de si.

Um hectare tem 10.000 m². Se um hectare inteiro virasse terreno de 450 m², caberiam vinte e dois lotes ali dentro. Nenhum condomínio fechado chega perto disso, porque parte da gleba vira rua, parte vira área verde, parte vira lâmina d'água e parte vira clube. A densidade resume isso num número só: quanto menor o resultado, mais gleba existe por trás de cada terreno.

É por isso que a metragem do lote, sozinha, separa menos do que parece. O Villaggio Atlântida abre 149 lotes em 16 hectares e chega a 9,3 por hectare. O Enseada Lagos de Xangri-Lá abre 565 lotes em 72,1 hectares e chega a 7,8. Os dois começam a faixa de terrenos em 450 m², e mesmo assim há quase um lote e meio de diferença por hectare entre eles. Quem compara pela metragem do terreno vê dois produtos equivalentes; quem compara pela gleba vê dois projetos com quantidades diferentes de terra comum atrás de cada casa.

Onde ficam os hectares que não viram lote

O Atlântida Ilhas Park é o caso em que a repartição está aberta linha a linha, porque o decreto municipal de Xangri-Lá que aprovou o projeto em 2002 discrimina cada parcela dos 268.010,23 m² da gleba: 91.310,17 m² de lotes residenciais, 2.278,33 m² de lotes comerciais, 41.838,99 m² de área verde de uso comum, 44.011,74 m² de área verde de recreação pública, 33.911,46 m² de espelho d'água e canal, e 54.659,54 m² de sistema viário.

Os terrenos residenciais ficam, então, com pouco mais de um terço da gleba. As ruas sozinhas levam um quinto. Água e verde somados passam de 44%. É essa aritmética, repetida com proporções diferentes em cada projeto, que produz a distância entre quatro e vinte lotes por hectare.

Ilustração conceitual recriada por IA da implantação do AVA Residences vista de cima, com as quadras de lotes, as vias curvas e a água ocupando faixas largas da gleba
Ilustração conceitual recriada por IA da implantação do AVA Residences vista de cima, com as quadras de lotes, as vias curvas e a água ocupando faixas largas da gleba

Nem todo empreendimento abre um decreto, mas vários publicam pedaços dessa mesma divisão. O ISLA Xangri-Lá informa 68 mil m² de lagos e canais, 65 mil m² de áreas de convívio e lazer e 6 mil m² de áreas comuns edificadas dentro dos seus 38 hectares, o que já retira mais de um terço da gleba antes do primeiro terreno. O Capão Ilhas Resort informa 110 mil m² de área de preservação permanente e mais de 100 mil m² de área condominial e de lazer dentro dos 436.772,69 m² do empreendimento. O Joy Xangri-Lá reparte os seus 141 mil m² em 66 mil m² de terrenos e 25 mil m² de lago.

Reparar nessas linhas ajuda a interpretar o resultado da divisão. Densidade baixa pode vir de gleba com muita água, de gleba com muita área verde preservada ou de gleba com lotes grandes, e a ficha costuma dizer qual dos três explica o número.

Lotes por hectare, empreendimento por empreendimento

A tabela abaixo reúne os empreendimentos de lote catalogados no portal cuja ficha publica os dois números necessários para a divisão. Ela está ordenada do menor resultado para o maior. A coluna de área reproduz o que cada empreendimento publica, convertido em hectares e preservando o arredondamento e o qualificador de origem, e a última coluna é a divisão feita aqui, com uma casa decimal.

Três convenções valem para ler a lista. Onde o material publica a área como "mais de", o resultado aparece como teto, porque hectare a mais empurra a razão para baixo. Grand Lake Osório e Nautilus Marina Bairro são bairros planejados, e o Pulse Resort Experience separa lotes comerciais dos residenciais: nesses três a contagem usada é a de lotes residenciais, e os números do Grand Lake são os da Fase I. O Riviera entra com 374 lotes, o menor de três números que circulam nas fontes do projeto. Os demais são condomínios fechados horizontais.

Empreendimento Cidade Lotes Área declarada Lotes por hectare
Cyano Private Resort Osório 93 cerca de 23 ha 4,0
Quintas do Lago Xangri-Lá 177 32 ha 5,5
Atlântida Ilhas Park Atlântida 155 26,8 ha 5,8
AVA Residences Maquiné 302 50 ha 6,0
Seasons Xangri-Lá 225 mais de 30 ha até 7,5
Velas da Marina Capão da Canoa 284 36,8 ha 7,7
Enseada Lagos de Xangri-Lá Xangri-Lá 565 72,1 ha 7,8
DUO Nautic Life Club Xangri-Lá 412 mais de 46 ha até 9,0
Villaggio Atlântida Atlântida 149 16 ha 9,3
Riviera Xangri-Lá 374 39 ha 9,6
Royal Lake Xangri-Lá 228 23 ha 9,9
Nautilus Marina Bairro Xangri-Lá 399 residenciais cerca de 40 ha 10,0
Malibu Beach Residence Xangri-Lá 197 cerca de 19 ha 10,4
Grand Lake Osório Osório 297 (Fase I) 28,6 ha (Fase I) 10,4
NAU Marina & Moradas Osório 494 45 ha 11,0
Prime Beach Curumim Capão da Canoa 490 42,6 ha 11,5
Capão Ilhas Resort Capão da Canoa 526 43,7 ha 12,0
Occhi Marina Clube Capão da Canoa 408 cerca de 33 ha 12,4
ISLA Xangri-Lá Xangri-Lá 482 38 ha 12,7
La Marina Reserva Maquiné 219 15,8 ha 13,9
VIZ Home Lake Capão da Canoa 458 cerca de 32 ha 14,3
Pleno Quatro Estações Xangri-Lá 360 25 ha 14,4
AMARE Home Resort Xangri-Lá 306 19,5 ha 15,7
Pulse Resort Experience Capão da Canoa 712 residenciais 43,6 ha 16,3
Joy Xangri-Lá Xangri-Lá 247 14,1 ha 17,5
Mirador Playa Arenas Capão da Canoa 179 10,19 ha 17,6
RARO Xangri-Lá 267 15,1 ha 17,7
Península Xangri-Lá 533 cerca de 30 ha 17,8
Las Palmas Xangri-Lá 329 17,2 ha 19,1
Wave Xangri-Lá 256 13,2 ha 19,4
Allure Xangri-Lá 363 18,4 ha 19,8
Blue Xangri-lá Xangri-Lá 373 18,8 ha 19,8

Três empreendimentos ficam abaixo de seis lotes por hectare. Quatro passam de dezenove. O meio da lista cai perto de doze, e Xangri-Lá responde por 18 das 32 fichas, aparecendo nas duas pontas dela. Na ponta baixa aparecem, nessa ordem, o Cyano Private Resort, em Osório, com 93 lotes em cerca de 23 hectares; o Quintas do Lago, em Xangri-Lá, com 177 em 32; e o Atlântida Ilhas Park, com 155 em 26,8. O AVA Residences, em Maquiné, entra logo em seguida, com 302 lotes em 50 hectares. Na ponta alta, Blue Xangri-lá e Allure fecham perto de vinte por hectare.

Vale ler a tabela sabendo o que ela mistura. Há projetos entregues há mais de duas décadas e projetos com obras iniciadas neste ano, e o padrão de parcelamento de cada época é diferente. Há gleba com lagoa natural encostada e gleba inteiramente seca. A divisão não corrige nada disso: ela mostra, num número comparável, o que cada ficha publica hoje.

As fichas que publicam metade da conta

Em outros treze empreendimentos de lote do portal a divisão não fecha, porque falta um dos dois números. Onze publicam quantos lotes abrem e silenciam sobre a área da gleba: Allegro (cerca de 310 lotes), Brávia Marina & Beach Club (mais de 450), Enseada Lagoa dos Quadros (211), Harmony (429 terrenos), Joy 2 Vila dos Lagos (355), Los Cobos (86), Mônaco Grand Marina (367), Oxy (182), Vivendas da Marina (346), ZEN Concept Resort (299) e Lótus Atlântida (166).

O Lótus é o caso de fronteira. Ele publica os 166 lotes e publica área, mas a área aparece em duas leituras dentro do mesmo material: cerca de 17 hectares de complexo, dos quais o empreendimento ocupa cerca de 8. Com dois denominadores possíveis, a razão teria dois valores distantes um do outro, e por isso ele fica fora da tabela em vez de entrar com um número escolhido a dedo.

Dois casos merecem nota separada, porque neles existe um número de hectares no material e ele mede outra coisa. O Mônaco Grand Marina publica 12 hectares, e são 12 hectares de lagos navegáveis, sem a área da gleba ao lado. No material do Harmony aparece a marca de 500 mil m², que é o histórico de entregas de uma das incorporadoras do projeto. Puxar qualquer um dos dois para o denominador daria um número redondo e errado, e é exatamente o tipo de deslize que a conta convida a cometer.

Dois empreendimentos de lote não publicam nenhum dos dois dados: AURA Garden Place e Verano Xangri-Lá. Neles a comparação por densidade começa por um pedido de informação à incorporadora, antes de qualquer divisão.

A afirmação que é da Dorata, e a divisão que é aritmética

O AVA Residences chega ao portal com a densidade já escrita na ficha de projeto, seis lotes por hectare, e com uma afirmação de primazia colada nela. A afirmação pertence à incorporadora: a Dorata diz que o empreendimento tem a menor taxa de ocupação do litoral. Ela fica inteiramente creditada à Dorata, e nenhuma apuração independente do portal a sustenta.

A divisão, essa, qualquer leitor refaz: 302 lotes em 50 hectares dão 6,04. O que ela alcança é a posição do AVA dentro da tabela acima, e ali ele aparece em quarto lugar, atrás do Cyano, do Quintas do Lago e do Atlântida Ilhas Park. Nenhum desses três tem a densidade escrita na própria ficha; os três publicam os dois números que permitem calculá-la.

Foto aérea da gleba de 50 hectares do AVA Residences em Maquiné, com o perímetro demarcado entre a lagoa de um lado e o rio do outro
Foto aérea da gleba de 50 hectares do AVA Residences em Maquiné, com o perímetro demarcado entre a lagoa de um lado e o rio do outro

A mesma expressão volta no material do Seasons, o outro condomínio fechado de lote da Dorata, em Xangri-Lá: ali também consta a menor taxa de ocupação entre os condomínios da região, agora sem número de densidade ao lado. Com 225 lotes em mais de 30 hectares, o Seasons chega a no máximo 7,5 por hectare. As duas afirmações são da incorporadora, e as duas contas são de quem quiser fazê-las. O comparativo entre os dois projetos percorre o resto das diferenças.

Uma ressalva sobre os termos, porque eles se cruzam aqui. Taxa de ocupação, no vocabulário das convenções de condomínio do litoral, tem outro significado: é o percentual do terreno que a construção pode cobrir no pavimento térreo, e aparece como 60% no Mirador Playa Arenas, no Península e no RARO, e como 37% no Mônaco Grand Marina. Lotes por hectare mede a gleba; taxa de ocupação mede o lote. A tabela acima calcula a primeira dessas duas medidas, e ela convive com a afirmação da Dorata sem confirmá-la nem contestá-la.

Água, via e área comum: por que projetos vizinhos se separam tanto

O que empurra um projeto para a parte baixa da lista costuma ser lâmina d'água e área verde de tamanho grande em relação à gleba. O Enseada Lagos de Xangri-Lá espalha 565 lotes por 72,1 hectares e para em 7,8. O Velas da Marina distribui 284 lotes por 36,8 hectares e para em 7,7. Nos dois, a gleba é ampla e o número de terrenos cresce menos que ela.

O contraexemplo esclarece o mecanismo. O ISLA Xangri-Lá reserva 68 mil m² de lagos e canais e 65 mil m² de convívio e lazer dentro de 38 hectares, uma proporção de área comum comparável à dos dois anteriores, e ainda assim chega a 12,7 por hectare, porque abre 482 lotes na terra que sobra. Água em abundância baixa a densidade só quando o número de terrenos acompanha.

Na outra ponta ficam glebas menores com muitos lotes. O Wave ocupa 13,2 hectares com 256 lotes; o Mirador Playa Arenas ocupa 10,19 com 179; o Allure, 18,4 com 363. Nos três o clube e os espelhos d'água existem e estão declarados, em escala proporcional ao terreno disponível: o Mirador, por exemplo, tem 9.485 m² de espelhos d'água e 1.263 m² de clube dentro dos seus dez hectares.

Uma leitura útil para quem compara: densidade baixa e lote grande andam separados. O Las Palmas trabalha com terrenos de 250 a 300 m² e chega a 19,1. O Quintas do Lago trabalha com terrenos de até 720 m² e chega a 5,5. Aí a metragem e a densidade caminham juntas. Já o Villaggio Atlântida e o Enseada Lagos de Xangri-Lá partem os dois de 450 m² e param em 9,3 e 7,8: mesma porta de entrada de metragem, um lote e meio de diferença por hectare.

O que pedir antes de comparar dois condomínios

Treze das fichas percorridas aqui não permitem a divisão, e nenhuma delas esconde o dado por não tê-lo. A área da gleba consta da matrícula e do projeto aprovado na prefeitura; a contagem de lotes consta da implantação registrada. Onde o material publicitário publica um dos dois, o outro existe em documento.

O passo prático, então, é pedir os dois à equipe de atendimento junto com a implantação, antes da visita: total de lotes e área total da gleba, nessa ordem. Com eles em mãos a divisão leva menos de um minuto e devolve um número que atravessa cidades e épocas, coisa que a metragem do terreno isolada nunca entrega. Quem já encontrou os dois números na ficha pode conferir o resultado contra a tabela acima e usar a posição relativa como primeira pergunta na visita ao condomínio fechado: por que essa gleba comporta esse número de lotes.

Perguntas frequentes

Como se calcula a densidade de um condomínio de lote?

Dividindo o total de lotes do empreendimento pela área da gleba em hectares. Um hectare tem 10.000 m², então um projeto com 302 lotes em 50 hectares chega a 6,04 lotes por hectare. Os dois números costumam estar na ficha técnica do empreendimento, e onde falta um deles a área da gleba consta da matrícula e do projeto aprovado na prefeitura.

Densidade e taxa de ocupação são a mesma coisa?

São medidas diferentes com nomes parecidos. Densidade mede a gleba inteira: lotes divididos por hectares. Taxa de ocupação mede o terreno individual, e é o percentual dele que a construção pode cobrir no pavimento térreo, definido na convenção de cada condomínio, geralmente entre 37% e 60% nos empreendimentos do litoral norte gaúcho. Um projeto pode ter densidade baixa e taxa de ocupação alta, e o contrário também acontece.

Qual empreendimento de lote do litoral norte gaúcho tem a menor densidade?

Entre os empreendimentos de lote catalogados no portal que publicam os dois números, o menor resultado é o do Cyano Private Resort, em Osório: 93 lotes em cerca de 23 hectares, ou 4,0 lotes por hectare. Vêm em seguida o Quintas do Lago, com 5,5, o Atlântida Ilhas Park, com 5,8, e o AVA Residences, com 6,0. A comparação cobre 32 fichas; outros 13 empreendimentos de lote não publicam um dos dois números, então ela não alcança o litoral inteiro.

Quantos lotes por hectare tem o AVA Residences?

Seis. O material do empreendimento publica 302 lotes em 50 hectares, e a divisão devolve 6,04 lotes por hectare. A Dorata, incorporadora do projeto, credita a esse número a menor taxa de ocupação do litoral, e a afirmação é dela. Os terrenos vão de 450 a 1.618 m², em Maquiné, no limite municipal com Xangri-Lá.

Por que alguns empreendimentos não publicam a densidade?

Porque a densidade fica fora da lista de dados que o material de venda costuma destacar, onde a metragem do lote e os itens de lazer vêm sempre na frente. Onze empreendimentos de lote do portal publicam quantos lotes abrem e não publicam a área da gleba, e dois não publicam nenhum dos dois. Em dois casos há um número de hectares no material medindo outra coisa: o Mônaco Grand Marina publica 12 hectares de lagos navegáveis, e o material do Harmony cita 500 mil m² que são o histórico de entregas de uma das incorporadoras.