Maquiné no Censo 2022: por que a cidade cresce diferente do litoral
População residente, no vocabulário do Censo, é quem tinha residência habitual no município em 31 de julho de 2022. Quem passa temporada numa casa e dorme habitualmente em outro endereço foi contado no outro endereço. Por essa medida, Maquiné tem 7.418 habitantes e cresceu 6,14% desde 2010, contra 20,47% a 51,81% das seis vizinhas de praia do litoral norte gaúcho.
O que o Censo conta quando diz que Maquiné tem 7.418 habitantes
A data de referência do Censo Demográfico 2022 foi 31 de julho de 2022, e tudo o que a apuração informa descreve aquele dia. Maquiné aparece com 7.418 moradores nessa fotografia e tinha 6.989 em 2010, diferença de 429 pessoas em doze anos, ou 6,14%, conforme a tabela 4709 do SIDRA. É a menor população e o menor crescimento entre as sete cidades do litoral norte gaúcho comparadas.
A mesma apuração descreve o município por um segundo caminho, o das casas. São 4.966 domicílios particulares permanentes recenseados em Maquiné, uma casa para cada 1,49 morador contado. Pessoas e imóveis vivem em tabelas separadas do Censo, cada uma com sua definição, e ler uma pela outra é a origem mais comum de erro em cidade com muita casa fechada fora de temporada.
Maquiné e as seis vizinhas de praia, indicador por indicador
As sete cidades saíram da mesma apuração, o que permite pôr Maquiné ao lado das outras seis em cada recorte publicado. O município ocupa pontas opostas de rankings vizinhos dentro do mesmo levantamento.
| Indicador do Censo 2022 | Maquiné | Posição entre as 7 cidades | Extremo oposto |
|---|---|---|---|
| Crescimento 2010-2022 | +6,14% | menor da região | Imbé, +51,81% |
| População residente em 2022 | 7.418 | menor da região | Capão da Canoa, 63.594 |
| População em área rural | 65,27% | maior da região | Imbé, 0,01% |
| Domicílios de uso ocasional | 29,22% | menor da região | Arroio do Sal, 72,40% |
| Nascidos no Rio Grande do Sul | 95,44% | maior da região | Torres, 88,54% |
| Nascidos em Santa Catarina | 2,59% | 6ª entre as 7 | Torres, 7,86% |
| Menos de 10 anos de residência | 20,01% | menor da região | Arroio do Sal, 44,32% |
Maquiné é ao mesmo tempo a cidade mais gaúcha de nascimento do recorte e a que menos renovou vizinhança na década, e é a única das sete com maioria da população fora da área urbana. Imbé encabeça o crescimento percentual com 51,81% e registra 0,01% de população rural, o extremo oposto da mesma coluna.
A régua da comparação decide se 6,14% é muito
O Rio Grande do Sul saiu de 10.693.929 para 10.882.965 habitantes entre os dois censos, alta de 1,77%. O Brasil foi de 190.755.799 para 203.080.756, alta de 6,46%. Os 6,14% de Maquiné ficam a 0,32 ponto percentual do ritmo nacional e a cerca de 3,5 vezes o ritmo do estado a que o município pertence.
Em pessoas, a distância para as vizinhas muda de ordem de grandeza. Capão da Canoa somou 21.554 moradores em doze anos, cerca de cinquenta vezes o acréscimo de Maquiné. Tramandaí somou 12.802, Imbé 9.154, Torres 7.095, quase a população inteira de Maquiné em 2022, Xangri-Lá 4.029 e Arroio do Sal 3.317.
Quase três em cada dez domicílios de Maquiné são de uso ocasional
72,40% dos domicílios particulares permanentes de Arroio do Sal estavam em uso ocasional em 2022, marca que nenhum dos 5.570 municípios brasileiros supera, com Xangri-Lá logo atrás, em 70,75%. O Censo põe nessa categoria o domicílio que servia de moradia apenas de vez em quando na data de referência, e é esse estoque que move a demografia do litoral norte gaúcho. O mecanismo está detalhado no artigo sobre a casa de veraneio virando moradia fixa.
Maquiné participa desse estoque numa escala menor, e o Censo publica o número para o município. Dos 4.966 domicílios particulares permanentes do município, 1.451 estavam em uso ocasional em 31 de julho de 2022, ou 29,22%. Outros 608 estavam vagos e 2.907 tinham morador. Somadas, as casas permanentes sem morador habitual chegam a 2.059 em Maquiné, 41,46% do estoque.
Os 29,22% deixam o município em último lugar entre as sete cidades nesse recorte, atrás de Torres com 37,27%, Tramandaí com 46,01%, Capão da Canoa com 53,24%, Imbé com 62,98%, Xangri-Lá com 70,75% e Arroio do Sal com 72,40%. A proporção fica bem abaixo da praia e ainda assim descreve um lugar onde quase um terço do estoque permanente cumpre função de segunda casa.
65,27% dos moradores de Maquiné vivem em área rural
A tabela 9923 do SIDRA separa a população residente por situação do domicílio. Em Maquiné, 4.842 pessoas foram recenseadas em área rural e 2.576 em área urbana, o que dá 65,27% contra 34,73%. As vizinhas ficam num patamar distante: Arroio do Sal aparece com 3,87% de população rural, Torres com 3,15%, Capão da Canoa com 1,15%, Tramandaí com 0,54%, Xangri-Lá com 0,19% e Imbé com 0,01%.
Essa maioria rural muda o caminho pelo qual um morador novo entra na conta. Onde há estoque grande de casa de veraneio pronta, alguém decide ficar o ano inteiro e o Censo seguinte registra a mudança com o imóvel já erguido. Em Maquiné, com 2.907 domicílios ocupados espalhados por distritos de vale, morador novo depende de casa construída ou de trabalho criado, e as duas coisas correm em compasso mais lento. Como é a rotina de quem mora lá, o que existe de comércio, escola e serviço, está no guia de Maquiné.
95,44% dos moradores nasceram no Rio Grande do Sul
É a maior fatia entre as sete cidades, segundo a tabela 631 do SIDRA: 7.080 dos 7.418 moradores de Maquiné nasceram no estado. Tramandaí aparece com 94,77%, Imbé com 94,47%, Arroio do Sal com 92,71%, Capão da Canoa com 92,46%, Xangri-Lá com 90,09% e Torres com 88,54%. A presença catarinense em Maquiné soma 192 pessoas, ou 2,59%, pouco acima de Tramandaí, que registra 2,48%, e a um terço da marca de Torres, cidade que faz divisa com Santa Catarina.
Vale registrar o alcance do indicador antes de esticar a conclusão. Estado é a menor divisão que a tabela 631 reconhece: ela abre uma linha para cada unidade da federação e uma para o exterior, e nenhuma para município. Por isso os 95,44% incluem tanto quem nasceu na própria cidade quanto quem nasceu em Bagé ou em Caxias do Sul, e o número de nascidos dentro de Maquiné fica fora dessa apuração.
O contexto estadual completa o quadro. Entre 2017 e 2022 o Rio Grande do Sul perdeu 77.839 habitantes no balanço entre quem entrou e quem saiu, e Santa Catarina ficou com 63,5% dos que foram embora, conforme o caderno "RS no Censo 2022: Migração e Fecundidade", do Departamento de Economia e Estatística da SPGG-RS, de novembro de 2025. Maquiné cresce dentro de um estado que perde gente para fora, e o crescimento vem de gaúcho trocando de município. O panorama das sete cidades trata esse paradoxo em detalhe.
1.484 moradores tinham menos de dez anos de casa
A tabela 10158 do SIDRA conta as pessoas com menos de dez anos ininterruptos de residência no município e informa de onde cada uma veio. Em Maquiné são 1.484 moradores, 20,01% dos 7.418 recenseados. Desses, 1.401 moravam antes em outro município do Rio Grande do Sul, 43 vieram de Santa Catarina e 14 do exterior. Os gaúchos respondem por 94,41% das chegadas recentes.
Quem nasceu em Maquiné, passou uma temporada fora e voltou dentro dos últimos dez anos entra na conta; quem chegou há doze e nunca mais saiu não entra. A régua é o tempo ininterrupto de residência, e ela também não guarda a cidade de onde cada morador veio: assim como a de nascimento, a classificação de residência anterior para na unidade da federação.
Os 20,01% são a menor taxa entre as sete cidades, abaixo de Arroio do Sal com 44,32%, Imbé com 41,99%, Xangri-Lá com 34,66%, Capão da Canoa com 32,53%, Tramandaí com 31,15% e Torres com 30,07%. Lida como fração da própria cidade, a taxa diz que um em cada cinco moradores de Maquiné estava em outro endereço dez anos antes. As 1.484 chegadas são 3,5 vezes o saldo líquido de 429 pessoas dos doze anos entre os censos, e a comparação vale como ordem de grandeza: as janelas de tempo diferem e o saldo também responde a nascimentos e óbitos.
Mais de 1.300 lotes na água interior de um município de 7.418 habitantes
Maquiné tem margem de lagoa, canal e rio no seu território e nenhum quilômetro de orla marítima. Os quatro condomínios fechados do município acompanham essa linha de água, todos em obras e todos com marina.
O Mônaco Grand Marina, da D1 Empreendimentos, tem 367 lotes de 335 a 1.345 m² e 12 hectares de lagos navegáveis ligados à Lagoa dos Quadros, com clube de 5.435 m². O Brávia Marina & Beach Club, da AMIS Incorporadora & Urbanizadora, reúne mais de 450 lotes de 360 a 670 m², marina com píeres nos canais ligados ao Rio Tramandaí, praia artificial, heliponto e um beach club beira-mar em Atlântida, fora do município. O La Marina Reserva, da J&J Incorporações e Participações, ocupa 15,8 hectares junto à Lagoa das Malvas, com 219 lotes de 300 a 647 m², marina interna, 36 garagens náuticas e píer com farol. O AVA Residences, da Dorata, é o mais recente: 302 lotes de 450 a 1.618 m² numa gleba de 50 hectares entre a lagoa e o rio. Todos os lotes do AVA ficam à beira d'água, de um lago interno ou da lagoa, num sistema 100% navegável. Quem tem jet ski ou lancha não precisa comprar vaga na marina: as 240 vagas são opcionais, uma compra à parte do lote. A comparação lado a lado dos quatro está no guia dos condomínios fechados em Maquiné, e a lista viva fica na página de Maquiné.
Somados, os quatro passam de 1.300 lotes num município que ganhou 429 moradores entre os dois censos. A distância entre os dois números pede cautela: lote vendido demora a virar morador de Censo, boa parte desse produto nasce como segunda casa, a construção depende do prazo de cada comprador e a entrega se distribui pelos próximos anos, sem data divulgada no caso do AVA. O que a comparação mostra é a escala do movimento imobiliário concentrado na faixa lagunar, a poucos minutos dos balneários e a mais de uma hora de qualquer cidade grande. O desenho regional dessa expansão, incluindo Osório, está no artigo sobre a nova fronteira dos condomínios do litoral norte.
Dois limites de leitura acompanham qualquer uso desses números junto com dado de mercado. A data de referência do Censo é 31 de julho de 2022, e as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul chegaram quase dois anos depois, em maio de 2024; o deslocamento posterior ao desastre fica fora de qualquer tabela censitária oficial, como mostra o levantamento sobre o que se sabe da migração pós-enchentes. A série de preço do município, por sua vez, é curta demais para virar taxa anual, e por isso a leitura de preço usa a variação de tabela por período, detalhada na análise dos reajustes de tabela da cidade. Uma limitação fala de transação imobiliária, a outra fala de gente.
A taxa que o IBGE publica para Maquiné
A tabela 4709 traz uma segunda medida do mesmo período: a taxa de crescimento geométrico, que converte a variação entre dois censos em percentual ao ano. Maquiné aparece com 0,50% ao ano. Imbé, o topo da região nesse indicador, marca 3,54%, e o Rio Grande do Sul fecha em 0,15%. Pouco mais de um ponto percentual ao ano separa Maquiné de Torres, que registra 1,56% e é a mais moderada das cidades de praia do recorte.
Fonte dos dados demográficos: IBGE, Censo Demográfico 2010 e 2022, consultado em 31/08/2026 no SIDRA, sistema de recuperação automática do IBGE. Tabela 4709 (população residente, variação absoluta e taxa de crescimento geométrico), 9923 (população residente por situação do domicílio), 631 (população residente por lugar de nascimento), 10158 (pessoas com menos de dez anos ininterruptos de residência no município, por lugar de residência anterior) e 4711 (domicílios recenseados por espécie, variável 617). Os percentuais de uso ocasional têm como base os domicílios particulares permanentes de cada município. Contexto de saldo migratório estadual: caderno "RS no Censo 2022: Migração e Fecundidade", DEE/SPGG-RS, novembro de 2025.
Perguntas frequentes
Quantos habitantes tem Maquiné segundo o Censo 2022?
Maquiné tem 7.418 habitantes no Censo Demográfico 2022 do IBGE, contra 6.989 em 2010. São 429 pessoas a mais em doze anos, alta de 6,14%. É a menor população entre as sete cidades do litoral norte gaúcho levantadas nessa apuração: Capão da Canoa, a maior delas, chegou a 63.594 moradores.
Por que Maquiné cresceu menos que Capão da Canoa e Xangri-Lá?
Porque Maquiné tem 65,27% da população em área rural, a maior proporção do litoral norte gaúcho, e um estoque de casa de veraneio muito menor que o das vizinhas de praia: 29,22% dos domicílios particulares permanentes estavam em uso ocasional em 2022, contra 72,40% em Arroio do Sal e 70,75% em Xangri-Lá. Entre 2010 e 2022, Capão da Canoa cresceu 51,27% e Xangri-Lá 32,40%, enquanto Maquiné avançou 6,14%.
Maquiné cresceu pouco em relação ao Brasil e ao Rio Grande do Sul?
Os 6,14% de Maquiné entre 2010 e 2022 ficam praticamente no ritmo brasileiro, que foi de 6,46% no mesmo período, e equivalem a cerca de 3,5 vezes o crescimento do Rio Grande do Sul, que foi de 1,77%. Na taxa de crescimento geométrico publicada pelo IBGE, Maquiné marca 0,50% ao ano, o Brasil 0,52% e o estado 0,15%. O município cresce devagar na comparação com as cidades de praia vizinhas, que avançaram de 20,47% a 51,81%.
De onde vêm os moradores de Maquiné?
Do próprio estado. No Censo 2022, 95,44% dos moradores de Maquiné nasceram no Rio Grande do Sul, a maior fatia entre as sete cidades do litoral norte gaúcho medidas, e 2,59% nasceram em Santa Catarina. Entre os 1.484 moradores com menos de dez anos de residência no município, 1.401 vieram de outro município gaúcho, ou 94,41%. O SIDRA informa o estado de nascimento e o estado de residência anterior, sempre nesse nível de agregação.
Onde ficam os condomínios fechados de Maquiné?
Na porção lagunar do município, já que Maquiné tem margem de lagoa, canal e rio no território e nenhum quilômetro de orla marítima. Os quatro condomínios fechados de lotes da cidade estão junto à água interior: o Mônaco Grand Marina, com 367 lotes e lagos ligados à Lagoa dos Quadros, o Brávia Marina & Beach Club, com mais de 450 lotes e marina nos canais do Rio Tramandaí, o La Marina Reserva, com 219 lotes junto à Lagoa das Malvas, e o AVA Residences, com 302 lotes entre a lagoa e o rio. No AVA, todo lote fica à beira d'água, num sistema 100% navegável, e as 240 vagas da marina são opcionais, vendidas à parte. Os quatro estão em obras.