Mercado imobiliário do litoral norte gaúcho: R$ 3,74 bilhões no 1º semestre de 2026
Os 23 municípios do litoral norte do Rio Grande do Sul somaram R$ 3,74 bilhões em negócios imobiliários nos seis primeiros meses de 2026, segundo o Sinduscon-RS. Capão da Canoa e Xangri-Lá concentraram cerca de 54% desse volume, e a projeção para o ano fechado é de novo recorde. Este é o levantamento traduzido em decisão de compra.

O mercado imobiliário do litoral norte gaúcho fechou o primeiro semestre de 2026 com R$ 3,74 bilhões em negócios nos 23 municípios da faixa litorânea, segundo o Sinduscon-RS, o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Sul, que acompanha a região pela arrecadação de ITBI. É o tipo de número que muda a conversa de quem está avaliando a compra de uma segunda residência entre Osório e Torres, porque dimensiona o mercado em que esse comprador está entrando e a liquidez que ele encontra ali. Promessa de valorização é outro assunto, com outra régua, e aparece mais adiante nesta página com o nome certo.
Este artigo é a leitura do semestre, com o recorte que interessa a quem decide. Se o que você procura é a tese de investimento e o ranking de valorização por cidade, o lugar é o panorama de investir no litoral norte gaúcho em 2026. Se a pergunta é sobre a curva de preço no tempo, a resposta está na série de valorização do m² de 2020 a 2026. Se a curiosidade é a série longa, ano a ano desde 2016, ela está no levantamento de dez anos de vendas de imóveis por cidade. Aqui o foco é um só: o que aconteceu de janeiro a junho de 2026 e o que isso muda agora.
R$ 3,74 bilhões em seis meses: o tamanho real do número
Um valor absoluto só significa alguma coisa quando ganha referência. A referência mais útil é o ano anterior: o litoral norte gaúcho fechou 2025 com R$ 7,36 bilhões em negócios imobiliários. Ou seja, em apenas seis meses de 2026 a região já movimentou pouco mais da metade de tudo o que negociou no ano inteiro anterior, e fez isso na metade mais fraca do calendário, já que a temporada de verão, quando o litoral concentra visita, decisão e assinatura de contrato, ainda estava por vir.
A segunda referência é a trajetória. Os R$ 7,36 bilhões de 2025 representaram alta de 23% sobre 2024, ano que por sua vez havia crescido 20% sobre 2023. Foi o terceiro recorde anual consecutivo da região, que se firmou como o segundo maior mercado imobiliário do estado, atrás apenas da região metropolitana de Porto Alegre. Um semestre forte dentro de uma sequência de três altas é sinal diferente de um pico isolado: descreve tendência, não sobressalto.
| Recorte | Volume de negócios | Leitura |
|---|---|---|
| 2023 | Base da série | Ponto de partida das três altas consecutivas |
| 2024 | +20% sobre 2023 | Segundo ano de recorde |
| 2025 | R$ 7,36 bilhões (+23%) | Terceiro recorde consecutivo |
| 1º semestre de 2026 | R$ 3,74 bilhões | Meio ano equivale a metade de 2025 inteiro |
| Projeção para 2026 | Acima de R$ 8,2 bilhões | Expectativa do Sinduscon-RS para o ano fechado |
Volume de negócios imobiliários nos 23 municípios do litoral norte gaúcho, segundo o Sinduscon-RS, com metodologia baseada na arrecadação de ITBI. Valores aproximados, sujeitos a revisão da fonte.
Por que a metodologia do ITBI torna o dado difícil de contestar
Boa parte dos números de mercado imobiliário que circulam vem de pesquisa de intenção, de anúncio publicado ou de estimativa de lançamento. O levantamento do Sinduscon-RS parte de outro lugar: a arrecadação de ITBI, o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis, pago ao município em cada transferência de propriedade e calculado sobre o valor do negócio.
A diferença é grande para quem investe. Anúncio é preço pedido, e preço pedido pode ficar meses sem encontrar comprador. ITBI é registro de transação consumada, com escritura e imposto pago. Quando essa arrecadação cresce, houve mais negócio fechado, a preços mais altos, ou os dois ao mesmo tempo. É um indicador de retrovisor, que não antecipa o futuro, mas descreve o passado recente com precisão contábil. Para entender como esse imposto entra na sua própria conta de compra, vale o guia de ITBI, IPTU e custos de aquisição no litoral norte.
A conta refeita na fonte primária: o semestre cidade por cidade
O número regional chega consolidado, e número consolidado merece conferência. Este portal refez a conta a partir do dado bruto que a origina: a arrecadação mensal de ITBI declarada por cada prefeitura, obtida na API oficial do SICONFI/Tesouro Nacional (RREO, Anexo 03) e nos portais de transparência municipais, dividida pela alíquota vigente em cada município. É a mesma metodologia do Sinduscon-RS, aplicada de forma independente sobre a fonte primária.
Cinco cidades têm arrecadação mensal publicada cobrindo janeiro a junho de 2026. Xangri-Lá ficou fora deste recorte por uma lacuna de publicação: o município não declara RREO no SICONFI e o portal de transparência está com o link quebrado, de modo que sua série tem granularidade apenas anual e ainda não registra 2026. Maquiné também não entra, com apenas dois meses isolados de dado em toda a década.
| Cidade | ITBI jan-jun 2025 | ITBI jan-jun 2026 | Variação | Valor estimado dos imóveis vendidos (jan-jun 2026) |
|---|---|---|---|---|
| Capão da Canoa | R$ 18,91 mi | R$ 21,76 mi | +15,1% | R$ 1,09 bi |
| Torres | R$ 9,40 mi | R$ 9,48 mi | +0,8% | R$ 474,1 mi |
| Tramandaí | R$ 9,22 mi | R$ 8,50 mi | -7,8% | R$ 340,2 mi |
| Imbé | R$ 4,88 mi | R$ 5,88 mi | +20,5% | R$ 294,2 mi |
| Arroio do Sal | R$ 2,51 mi | R$ 3,28 mi | +30,5% | R$ 163,8 mi |
| Cinco cidades | R$ 44,93 mi | R$ 48,90 mi | +8,9% | R$ 2,36 bi |
Arrecadação de ITBI de janeiro a junho de cada ano e valor estimado dos imóveis transacionados no 1º semestre de 2026 (arrecadação dividida pela alíquota geral do município: 2% em Capão da Canoa, Torres, Imbé e Arroio do Sal, 2,5% em Tramandaí). Fonte da arrecadação: SICONFI/Tesouro Nacional e portais de transparência municipais. Xangri-Lá e Maquiné não têm dado de 2026 publicado.
As cinco praças somam R$ 2,36 bilhões estimados no semestre, cerca de 63% dos R$ 3,74 bilhões que o Sinduscon-RS atribui aos 23 municípios da faixa. O restante inclui Xangri-Lá, que sozinha fechou 2025 em R$ 1,75 bilhão e é a segunda maior praça da região, além das duas dezenas de municípios menores.
O semestre não foi uniforme, e a dispersão entre as cidades é o dado mais útil da tabela. Arroio do Sal cresceu 30,5% em arrecadação de ITBI sobre o mesmo período de 2025, Imbé 20,5% e Capão da Canoa 15,1%. Torres praticamente empatou, com 0,8%, e Tramandaí recuou 7,8%. Todas essas variações medem valor transacionado, isto é, o produto de quantas escrituras foram lavradas pelo valor de cada uma, e nenhuma delas informa por si só o que aconteceu com o preço do metro quadrado em cada praça.
A prova cruzada: o cálculo próprio confere com o Sinduscon-RS
Dois cálculos independentes que chegam ao mesmo resultado valem mais do que um cálculo bem explicado. O Sinduscon-RS publica o VGV do litoral norte pela mesma conta, arrecadação de ITBI dividida pela alíquota, a partir dos valores que as prefeituras declaram. Confrontar linha a linha o que a apuração deste portal estimou com o que o sindicato divulgou permite medir o erro em vez de supô-lo.
| Cidade e período | Estimativa pela fonte primária | Publicado pelo Sinduscon-RS | Diferença |
|---|---|---|---|
| Imbé, 1º semestre de 2026 | R$ 294.184.301 | R$ 294,2 milhões | Praticamente exato |
| Arroio do Sal, 1º semestre de 2026 | R$ 163.821.812 | R$ 163,8 milhões | Praticamente exato |
| Tramandaí, 1º semestre de 2026 | R$ 340,2 milhões | R$ 356,8 milhões | -5% |
Comparação entre o valor estimado a partir da arrecadação de ITBI de janeiro a junho de 2026, apurada no SICONFI e nos portais de transparência, e os valores de VGV divulgados pelo Sinduscon-RS para o mesmo recorte.
Imbé e Arroio do Sal coincidem até a casa das centenas de milhar, e essa coincidência tem um efeito colateral valioso. Em nenhuma das duas cidades foi possível ler o texto da lei tributária, indisponível nos sites oficiais, e a alíquota de 2% havia sido adotada por convenção regional. O encontro exato com uma fonte independente do setor confirma empiricamente que os 2% estão corretos, o que retira uma suposição do meio do caminho.
No ano fechado de 2025 a conferência se repete nas praças maiores: Xangri-Lá estimada em R$ 1,75 bilhão contra R$ 1,7 bilhão publicado, uma distância de 3%; Capão da Canoa em R$ 1,94 bilhão contra R$ 1,9 bilhão, 2%; e Torres em R$ 1,05 bilhão, compatível com o "acima de R$ 1 bilhão" divulgado pelo sindicato. A tabela completa das nove conferências, incluindo os anos fechados, está no panorama de dez anos de volume por cidade.
Os desvios ensinam tanto quanto os acertos, e todos apontam para o mesmo lado: a estimativa fica abaixo do publicado, jamais acima. O caso extremo é Tramandaí no ano fechado de 2025, 42% abaixo do número do sindicato. A explicação está na alíquota. Tramandaí cobra 2,5% na venda comum e 1% quando a compra é financiada pelo SFH, então um ano com muito crédito imobiliário derruba a arrecadação por real vendido e a divisão pela alíquota cheia subestima o total. No primeiro semestre de 2026, a mesma conta na mesma cidade ficou a 5% do publicado, sinal de que a proporção entre financiado e à vista muda de período para período. As três cidades com 2% confirmado em lei ou em nota oficial da prefeitura, Xangri-Lá, Capão da Canoa e Torres, são justamente as que batem quase exatamente.
O semestre dentro da série de dez anos
Um semestre isolado não diz se o mercado acelerou ou apenas manteve o passo. A série mensal desde 2016 diz. Em Capão da Canoa, a arrecadação de janeiro a junho saiu de R$ 7,89 milhões em 2018, primeiro ano com quebra mensal publicada, para R$ 21,76 milhões em 2026, valor multiplicado por 2,8 em oito anos e o maior primeiro semestre de toda a série da cidade. Só esse semestre já equivale a 56% de tudo o que Capão da Canoa arrecadou de ITBI no ano inteiro de 2025.
Imbé também registrou o melhor primeiro semestre da sua série em 2026, com R$ 5,88 milhões, 13,7% acima do recorde anterior, os R$ 5,17 milhões de 2021. Arroio do Sal, com série mensal mais curta, saiu de R$ 1,97 milhão no primeiro semestre de 2024 para R$ 3,28 milhões em 2026, alta de 66% em dois anos.
Duas cidades destoam do grupo, e vale registrar. Torres arrecadou R$ 9,48 milhões neste primeiro semestre, praticamente empatada com 2025 e ainda 10,5% abaixo do primeiro semestre de 2024, que segue sendo o seu melhor. Tramandaí recuou 7,8% ante 2025, embora permaneça 5% acima de 2024. São movimentos típicos de praça onde o ciclo de lançamentos se concentra em um ano específico e deixa base de comparação alta para o seguinte.
A série guarda ainda um aviso de método que continua valendo em 2026: semestre e ano podem contar histórias opostas. Nos primeiros seis meses de 2020, com cartórios em regime restrito, o ITBI recuou em todas as cidades com dado mensal disponível, e o exercício fechado terminou em alta expressiva em todas elas. Quem quiser esse ano a ano completo, com o pico de 2021 e a acomodação de 2022 e 2023, encontra no levantamento de dez anos por cidade.
O mapa do dinheiro: como 2025 fechou, cidade por cidade
O total consolidado do semestre não é divulgado aberto pelos 23 municípios, e cinco cidades foram até aqui as únicas com arrecadação mensal publicada. O ano fechado de 2025 completa o quadro porque cobre também as praças sem série mensal disponível, entre elas Osório, e mostra onde o capital do litoral norte se concentra. A distribuição é bem menos homogênea do que a expressão "litoral norte" sugere.
| Cidade | Volume de negócios em 2025 (R$ bilhões) | Posição |
|---|---|---|
| Capão da Canoa | 1,90 | Líder regional |
| Xangri-Lá | 1,70 | Vice-líder |
| Tramandaí | 1,20 | 3º |
| Torres | 1,05 | 4º |
| Imbé | 0,58 | 5º |
| Osório | 0,40 | 6º |
| Arroio do Sal | 0,32 | 7º |
Volume de negócios imobiliários por cidade em 2025, segundo o Sinduscon-RS. As sete cidades da tabela somam cerca de 97% do total regional de R$ 7,36 bilhões. Valores aproximados, sujeitos a revisão da fonte.
Duas leituras saltam da tabela. A primeira é a concentração: essas sete cidades respondem por cerca de 97% de todo o volume dos 23 municípios, o que significa que o mercado do litoral norte é, na prática, o mercado de meia dúzia de praças. A segunda é a distância entre o pelotão da frente e o resto: Capão da Canoa e Xangri-Lá juntas somaram R$ 3,6 bilhões em 2025, mais do que Tramandaí, Torres, Imbé, Osório e Arroio do Sal somadas.
Capão da Canoa e Xangri-Lá: 54% do volume do semestre
No primeiro semestre de 2026, a concentração não só se manteve como se tornou o dado mais eloquente do levantamento: Capão da Canoa e Xangri-Lá responderam por cerca de 54% de todo o volume regional. Aplicado aos R$ 3,74 bilhões do período, o percentual equivale a algo em torno de R$ 2 bilhões negociados em duas cidades em seis meses, enquanto os outros 21 municípios dividiram o restante.
Cada uma chega a esse patamar por um caminho diferente. Capão da Canoa é volume e densidade: a maior malha urbana consolidada da faixa, com o maior número de canteiros ativos da região, somando torres residenciais no Centro, na Zona Nova e no bairro Navegantes e condomínios fechados horizontais ao longo da Estrada do Mar e do distrito de Curumim. Quem quiser ver a oferta reunida encontra em empreendimentos em Capão da Canoa e no guia de condomínios fechados em Capão da Canoa.
Xangri-Lá é ticket e escassez: abriga Atlântida e a Rainha do Mar, os endereços historicamente premium do estado, e foi onde o modelo de condomínio fechado de lotes com lago interno, clube e segurança 24 horas mais se desenvolveu. É a praça onde o metro quadrado de alto padrão atinge os patamares mais altos do estado. A oferta da cidade está em empreendimentos em Xangri-Lá, e a comparação direta entre as duas praças está no comparativo entre Capão da Canoa e Xangri-Lá.

O ITBI de Capão da Canoa: R$ 37,9 milhões e alta real de 17,43%
Se o volume regional é a foto ampla, a arrecadação municipal é a lente macro. Capão da Canoa arrecadou R$ 37,9 milhões de ITBI em 2025, com alta real de 17,43% sobre o ano anterior, segundo o Sinduscon-RS. A palavra decisiva ali é real: significa crescimento já descontada a inflação do período.
A série do SICONFI/Tesouro Nacional, base primária deste levantamento, registra R$ 38,82 milhões de ITBI em Capão da Canoa no mesmo ano de 2025. A distância entre as duas apurações fica em cerca de 2%, a mesma ordem de grandeza do desvio observado na validação cruzada do valor vendido da cidade, R$ 1,94 bilhão estimado contra R$ 1,9 bilhão publicado. Duas fontes independentes convergindo dentro de 2% é o melhor atestado de solidez que um dado fiscal municipal costuma receber.
Esse detalhe importa porque separa aquecimento verdadeiro de ilusão nominal. Um mercado pode arrecadar mais ITBI simplesmente porque tudo ficou mais caro na economia, sem que nada tenha mudado no comportamento de compra. Alta real quer dizer que a base tributável do município cresceu acima da inflação: passou mais dinheiro por escritura em 2025 do que em 2024, já em termos corrigidos. Para o comprador, é a evidência mais próxima que existe de que a demanda por Capão da Canoa não é sazonal nem retórica de corretor, e sim receita pública registrada.
Vale delimitar o que essa alta autoriza afirmar. O crescimento pode ter vindo de mais imóveis transferidos, de imóveis mais caros por transação, ou dos dois ao mesmo tempo, e a arrecadação sozinha não separa as hipóteses. Chamar o percentual de valorização trocaria uma medida por outra: valorização é a variação de preço do mesmo imóvel ao longo do tempo, e se mede em série de preço por metro quadrado, jamais em receita de imposto.
Anúncio é preço pedido. ITBI é negócio fechado, com escritura lavrada e imposto pago. Quando a arrecadação de um município cresce acima da inflação, o que fica provado é o tamanho do fluxo: mais dinheiro passou por escritura. Quanto disso é quantidade de negócios e quanto é preço por negócio, só a série do metro quadrado responde.
A projeção para o ano fechado: acima de R$ 8,2 bilhões
A expectativa de Ramiro Chaves Laurent, vice-presidente e coordenador regional do Sinduscon-RS no litoral norte, é que a região ultrapasse R$ 8,2 bilhões em vendas até o fim de 2026, o que representaria novo recorde anual e o quarto ano consecutivo de crescimento. Laurent, que também preside a Associc, a associação das construtoras de Capão da Canoa, acompanha de perto tanto o lado da oferta quanto o da arrecadação municipal.
Vale fazer a conta que a projeção implica, porque ela é verificável. Com R$ 3,74 bilhões no primeiro semestre, chegar a R$ 8,2 bilhões exige que o segundo semestre entregue cerca de R$ 4,46 bilhões, aproximadamente 19% acima do primeiro. Não é um salto arbitrário: o segundo semestre carrega o pré-temporada, a temporada de verão e o pico de decisão do comprador de segunda residência, que visita em janeiro e assina entre janeiro e março. Ainda assim, é projeção, e projeção depende de crédito, de ritmo de lançamentos e de uma temporada normal. Se confirmada, representaria crescimento de cerca de 11% sobre 2025.
O que isso muda para quem está decidindo comprar agora
Um levantamento de volume não diz qual empreendimento comprar. Diz outras quatro coisas, todas úteis para quem está com a decisão na mesa:
- Liquidez comprovada. Mercado que gira R$ 3,74 bilhões em seis meses é mercado com saída. Para o investidor, isso responde à pergunta que costuma ficar por último: quando eu quiser vender, existe comprador? No litoral norte gaúcho, a resposta está em receita de cartório, não em promessa.
- Concentração vale como filtro. Se 54% do dinheiro do semestre passou por Capão da Canoa e Xangri-Lá, é nessas duas praças que estão a maior profundidade de oferta, o maior número de comparáveis para negociar e o mercado secundário mais ativo. Praça líquida perdoa erro de timing; praça rasa, não.
- Janela de tabela. Volume crescente pressiona preço para cima com defasagem. Em ciclo de alta sustentada, a tabela de lançamento tende a ser o piso do ciclo do empreendimento, e o comprador que entra na fase de obras costuma capturar a diferença entre a tabela inicial e a de entrega.
- Concorrência por unidade boa. O outro lado da mesma moeda: em mercado aquecido, as melhores posições, frente para a água, esquina de quadra, andar alto com vista, saem primeiro. Volume alto significa que decidir devagar tem custo.
Vale ainda um lembrete de método. Volume regional é dado de mercado, não de produto. Antes de assinar, o que decide segue sendo o registro do memorial de incorporação, o histórico de entregas da incorporadora, a localização exata dentro do empreendimento e a compatibilidade entre parcelamento e fluxo de caixa. O dado macro dá contexto, o due diligence dá segurança.
O que este número não diz
Precisão exige delimitar o que o levantamento não cobre, e são três pontos.
Primeiro, volume não é valorização. R$ 3,74 bilhões medem quanto dinheiro trocou de mãos, o produto de unidades vendidas por preço médio. Um semestre recorde pode nascer de mais lançamentos, e não de preços maiores. Quem quer a variação de preço do mesmo ativo no tempo precisa de uma série histórica, que é exatamente o que o índice de valorização da região reúne, e o que a comparação de preço médio do m² por cidade traduz em patamar atual.
Segundo, o ITBI enxerga apenas a transmissão consumada. Ele silencia sobre quantas unidades sobraram, sobre a velocidade de vendas por empreendimento e sobre a taxa de distrato. São métricas que só a tabela de cada incorporadora responde.
Terceiro, a base é municipal e agregada. Dentro da mesma cidade convivem realidades muito distintas: torre no Centro, condomínio fechado na Estrada do Mar e casa em rua aberta têm curvas próprias. O agregado serve de bússola regional, e a cotação de um imóvel específico continua sendo assunto de tabela e de avaliação. Para uma leitura complementar do território, o panorama municipal do IBGE ajuda a dimensionar população e domicílios de uso ocasional.
Há ainda uma ressalva de calendário específica deste semestre. Capão da Canoa manteve uma alíquota reduzida de 1% para regularização de imóveis entre setembro de 2025 e março de 2026, restrita a esse programa e sem representar o fluxo normal de vendas. Como a janela cobre o primeiro trimestre de 2026, a estimativa de R$ 1,09 bilhão para a cidade no semestre carrega, além do desconto do financiamento pelo SFH, um pedaço de arrecadação recolhida a meia alíquota. O sentido do erro segue o mesmo em todos os casos: o valor realmente transacionado é maior do que o estimado. Quem for usar estes números como base de decisão faz melhor tratando cada um deles como piso, e conferindo o fechamento do exercício quando as prefeituras publicarem as retificações, que em dado fiscal recém-divulgado são rotina.
Fontes: arrecadação mensal e anual de ITBI obtida na API oficial do SICONFI/Tesouro Nacional (RREO Anexo 03 e DCA) para Capão da Canoa, Torres e Imbé, e nos portais de transparência municipais de Tramandaí e Arroio do Sal; alíquotas conferidas em códigos tributários municipais e notas oficiais das prefeituras. Levantamento do Sinduscon-RS (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Sul) sobre o volume de negócios imobiliários no litoral norte gaúcho, usado como validação cruzada, com declarações de Ramiro Chaves Laurent, vice-presidente e coordenador regional do sindicato no litoral norte; dados populacionais e de domicílios do IBGE. Consulta pública dos dados fiscais em siconfi.tesouro.gov.br. Percentuais derivados e valores estimados calculados sobre a arrecadação publicada. Números aproximados, sujeitos a retificação pelas próprias prefeituras; desempenho passado do mercado não é garantia de retorno futuro e nada aqui constitui promessa de rentabilidade.
FAQ: perguntas frequentes
Quanto o mercado imobiliário do litoral norte gaúcho movimentou no 1º semestre de 2026?
Os 23 municípios do litoral norte gaúcho somaram R$ 3,74 bilhões em negócios imobiliários entre janeiro e junho de 2026, segundo o Sinduscon-RS, que acompanha o mercado pela arrecadação de ITBI, o imposto pago em cada transmissão de imóvel. É pouco mais da metade de tudo o que a região negociou em 2025 inteiro, ano que fechou em R$ 7,36 bilhões. Capão da Canoa e Xangri-Lá, juntas, responderam por cerca de 54% do volume do semestre, algo em torno de R$ 2 bilhões.
Quais cidades lideram o mercado imobiliário do litoral norte gaúcho?
No ano fechado de 2025, a liderança ficou com Capão da Canoa, com R$ 1,9 bilhão em negócios, seguida por Xangri-Lá (R$ 1,7 bilhão), Tramandaí (R$ 1,2 bilhão), Torres (R$ 1,05 bilhão), Imbé (580 milhões de reais), Osório (400 milhões) e Arroio do Sal (320 milhões), conforme o Sinduscon-RS. Essas sete cidades concentram cerca de 97% de tudo o que a região negociou no ano. No primeiro semestre de 2026 a concentração se manteve: só Capão da Canoa e Xangri-Lá responderam por cerca de 54% do volume regional.
O litoral norte gaúcho vai bater recorde de vendas em 2026?
A expectativa de Ramiro Chaves Laurent, vice-presidente e coordenador regional do Sinduscon-RS no litoral norte, é que a região ultrapasse R$ 8,2 bilhões em vendas até o fim de 2026, o que seria novo recorde anual e o quarto ano consecutivo de alta. Para chegar lá, o segundo semestre precisa somar cerca de R$ 4,46 bilhões, aproximadamente 19% acima do primeiro. É uma projeção de mercado, não uma garantia: depende de crédito, de lançamentos e do ritmo da temporada de verão.
Por que o ITBI é usado para medir o mercado imobiliário?
O ITBI, Imposto de Transmissão de Bens Imóveis, é pago ao município em cada transferência de propriedade e incide sobre o valor do negócio. Como é registro de arrecadação, e não pesquisa de intenção, ele mede transação consumada em cartório, o que o torna um indicador difícil de contestar. Em Capão da Canoa, a arrecadação chegou a R$ 37,9 milhões em 2025, com alta real de 17,43% sobre o ano anterior, segundo o Sinduscon-RS, e a série do SICONFI/Tesouro Nacional registra R$ 38,82 milhões para o mesmo ano. Alta real significa que o valor total transacionado cresceu acima da inflação, sem que a arrecadação permita separar quanto veio de mais negócios fechados e quanto de tíquetes maiores.
Volume recorde de vendas significa que os preços vão subir?
Não diretamente. Volume de negócios mede quanto dinheiro trocou de mãos, somando unidades vendidas e preço por unidade, enquanto valorização mede a variação do preço do mesmo ativo ao longo do tempo. Um semestre recorde pode vir de mais lançamentos, e não de preços maiores. O que o volume indica com segurança é liquidez: mercado com muitas transações é mercado onde se consegue vender quando se quer realizar o ganho. Para a leitura de preço, o caminho é a série histórica de valorização por cidade e por empreendimento.
O cálculo do valor vendido por ITBI confere com os números do Sinduscon-RS?
Confere. Refazendo a conta na fonte primária, arrecadação de ITBI do SICONFI/Tesouro Nacional e dos portais de transparência municipais dividida pela alíquota de cada município, o valor estimado para Imbé no 1º semestre de 2026 é de R$ 294.184.301 contra os R$ 294,2 milhões divulgados pelo Sinduscon-RS, e o de Arroio do Sal é de R$ 163.821.812 contra R$ 163,8 milhões. Nos anos fechados de 2025, Xangri-Lá fica 3% acima do publicado e Capão da Canoa 2%. O maior desvio é Tramandaí, onde a alíquota reduzida de 1% no financiamento pelo SFH faz a estimativa subestimar o total: 5% abaixo no 1º semestre de 2026 e 42% abaixo no ano de 2025.
Quer a tabela atualizada das praças que lideram o mercado?
Receba as tabelas e as plantas dos condomínios fechados e das torres de Capão da Canoa, Xangri-Lá, Atlântida e Osório, com os valores vigentes e as condições de parcelamento de cada empreendimento.
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