Costa Dorata

Torres, no RS: quantos moradores nasceram em Santa Catarina

No Censo 2022, cada morador de Torres caiu em uma de duas colunas do IBGE: nasceu no Rio Grande do Sul ou nasceu fora dele. A primeira ficou com 36.965 dos 41.751 recenseados, 88,54%. Na segunda, Santa Catarina responde por 3.283 pessoas, 7,86% do município, a maior participação catarinense entre as sete cidades do litoral norte gaúcho.

Vista aérea da planície costeira do litoral norte gaúcho, com lagoa ao fundo, campos e uma via de acesso ladeada por casas

O que a tabela 631 registrou em Torres

Torres tinha 41.751 habitantes em 31 de julho de 2022, data de referência do Censo Demográfico, contra 34.656 em 2010. São 7.095 pessoas a mais em doze anos, alta de 20,47%. Do total recenseado, 36.965 moradores nasceram no Rio Grande do Sul, 3.283 nasceram em Santa Catarina e 341 nasceram no Paraná. Outros 12.553, ou 30,07% da mesma população, residiam no município havia menos de dez anos ininterruptos, qualquer que tenha sido o estado onde nasceram.

Os dois indicadores dividem o denominador e medem coisas distintas. Lugar de nascimento é acervo, e reúne na mesma linha quem nunca saiu de Torres, quem chegou aos três anos de idade e quem chegou aos sessenta. Tempo ininterrupto de residência é fluxo, e conta quem se mudou dentro de uma janela de dez anos sem perguntar onde essa pessoa nasceu. A separação entre as duas tabelas do SIDRA está detalhada no panorama de migração das sete cidades; aqui as duas apontam para o mesmo município.

Nenhuma outra cidade do litoral norte chega aos 7,86%

Entre as sete cidades da região, Torres é a única com menos de 90% de moradores nascidos no próprio estado e a única com participação catarinense acima de 6%. As três colunas abaixo usam a população residente de 2022 de cada município como denominador.

Cidade Nasc. no RS Nasc. em SC Menos de 10 anos de residência
Torres88,54%7,86%30,07%
Xangri-Lá90,09%5,81%34,66%
Arroio do Sal92,71%4,78%44,32%
Capão da Canoa92,46%3,71%32,53%
Imbé94,47%3,16%41,99%
Maquiné95,44%2,59%20,01%
Tramandaí94,77%2,48%31,15%

A distância até a divisa explica a maior parte dessa ordem. Torres é o município gaúcho mais ao norte da faixa litorânea, separado de Santa Catarina pelo rio Mampituba, e tem mais que o dobro da fatia catarinense de Capão da Canoa, onde 2.357 dos 63.594 moradores nasceram no estado vizinho, e mais que o triplo da de Tramandaí, com 1.351 de 54.387.

Uma quebra no gradiente merece registro. Xangri-Lá aparece com 5,81%, ou 956 dos seus 16.463 moradores, acima de Arroio do Sal, que tem 529 de 11.057, e acima de Capão da Canoa, ambas situadas mais ao norte na mesma faixa de costa. A classificação de lugar de nascimento da tabela 631 para na unidade da federação, então o dado que permitiria testar hipóteses sobre essa inversão, a cidade catarinense de origem de cada morador, fica fora da apuração pública.

No fluxo dos últimos dez anos, a fatia catarinense sobe a 67,69%

Dos 41.751 moradores de Torres, 12.553 tinham menos de dez anos ininterruptos de residência no município. Desses recém-chegados, 9.885 moravam antes em outro município do próprio Rio Grande do Sul, ou 78,75% do fluxo, e 2.668 vieram de fora do estado.

Dentro desses 2.668, Santa Catarina concentra 1.806 pessoas, ou 67,69%. A tabela 10158 registra o lugar de residência anterior, indicador distinto do lugar de nascimento: esses 1.806 são moradores cujo endereço anterior ficava em Santa Catarina, qualquer que seja o estado onde vieram ao mundo. Sobre o total do fluxo recente, os mesmos 1.806 valem 14,39%, quase o dobro dos 7,86% que Santa Catarina ocupa no acervo de nascimento do município.

Os 78,75% de Torres são o piso do recorte regional. Maquiné fica no teto, com 1.401 dos seus 1.484 recém-chegados vindos de outro município gaúcho, ou 94,41%; Arroio do Sal marca 4.600 de 4.900, ou 93,88%; e Capão da Canoa, a maior cidade do recorte, 18.382 de 20.686, ou 88,86%. A amplitude regional vai portanto de 78,75% a 94,41%, e Torres ocupa a ponta de baixo justamente porque a parcela que sai da conta gaúcha ali é catarinense.

Torres cresceu 20,47%, o piso das cidades de praia

No intervalo entre os dois censos, Imbé cresceu 51,81%, saindo de 17.670 para 26.824 moradores; Capão da Canoa cresceu 51,27%, de 42.040 para 63.594; Arroio do Sal, 42,86%, de 7.740 para 11.057; Xangri-Lá, 32,40%, de 12.434 para 16.463; e Tramandaí, 30,79%, de 41.585 para 54.387. Torres fechou o período em 20,47%, com 7.095 moradores somados aos 34.656 de 2010.

A referência externa reposiciona esse último número. O Rio Grande do Sul somou 189.036 habitantes entre 2010 e 2022, alta de 1,77% sobre 10.693.929, e o Brasil somou 12.324.957, alta de 6,46% sobre 190.755.799. Os 20,47% de Torres equivalem a quase doze vezes o ritmo do estado e a mais de três vezes o do país.

A taxa de residência recente segue desenho parecido. Os 30,07% de Torres são a menor marca entre as seis cidades de praia do recorte, atrás de Arroio do Sal, com 44,32% de 11.057 moradores, de Imbé, com 41,99% de 26.824, de Xangri-Lá, com 34,66% de 16.463, de Capão da Canoa, com 32,53% de 63.594, e de Tramandaí, com 31,15% de 54.387. Só Maquiné aparece abaixo, com 20,01% de 7.418 moradores e maioria da população fora da área urbana, retrato que está no Censo 2022 de Maquiné. Torres reúne, assim, a maior fatia catarinense da região com a menor renovação de vizinhança entre as cidades de praia.

O estado perde gente para Santa Catarina enquanto Torres recebe de lá

No agregado estadual, o trânsito entre os dois estados corre no sentido oposto ao que Torres registra. O Rio Grande do Sul teve saldo migratório negativo de 77.839 pessoas entre 2017 e 2022, e 63,5% de quem deixou o estado foi para Santa Catarina, segundo o caderno "RS no Censo 2022: Migração e Fecundidade", do Departamento de Economia e Estatística da SPGG-RS, publicado em novembro de 2025.

As duas leituras convivem porque medem escalas diferentes. A perda líquida do estado corre sobretudo em direção aos polos econômicos catarinenses, enquanto na faixa de fronteira litorânea o movimento é local e vai nas duas direções. Quem mora em Torres e trabalha em Passo de Torres, quem estuda de um lado da divisa e dorme do outro, quem tem família dividida pelo rio: essa rotina escapa da definição de migração interestadual de longa distância e mesmo assim deixa marca nas duas tabelas do Censo, no lugar de nascimento e no lugar de residência anterior de quem foi recenseado em Torres.

Para quem avalia a região como destino de moradia, o efeito prático é que Torres opera com um mercado de trabalho, de serviços e de consumo que atravessa o limite estadual. As outras seis cidades do recorte funcionam com uma bacia mais fechada: em todas elas, mais de 88% de quem chegou nos últimos dez anos morava antes em outro município gaúcho, proporção detalhada no panorama regional de migração. Boa parte dessa absorção acontece dentro do estoque de casa fechada que já existe na costa, mecanismo tratado no artigo sobre a casa de veraneio que vira moradia fixa.

As 1.503 pessoas nascidas fora dos dois estados

Sobra uma fatia pequena e informativa. Com 36.965 nascidos no Rio Grande do Sul e 3.283 nascidos em Santa Catarina dentro dos 41.751 recenseados, restam 1.503 moradores, ou 3,60%, para todos os outros estados brasileiros e o exterior somados. A tabela 631 abre parte dessa sobra: 341 nascidos no Paraná, 179 em São Paulo, 138 no Rio de Janeiro, 84 em Minas Gerais e 266 em país estrangeiro.

Esse resíduo coloca Torres no meio do pelotão regional. A mesma conta devolve 4,11% para Xangri-Lá, com 676 de 16.463 moradores, 3,84% para Capão da Canoa, com 2.439 de 63.594, 2,75% para Tramandaí, com 1.495 de 54.387, 2,51% para Arroio do Sal, com 277 de 11.057, 2,37% para Imbé, com 636 de 26.824, e 1,97% para Maquiné, com 146 de 7.418.

O diferencial demográfico de Torres tem, portanto, endereço definido. A cidade soma 7,86% de catarinenses a um resíduo de 3,60% que fica na média da região, e o que a separa das vizinhas do sul vem de um estado específico, o que começa do outro lado do rio Mampituba. Quem estuda o mercado de Capão da Canoa, Xangri-Lá ou Atlântida lê uma bacia abastecida por gaúcho de outro município, movimento tratado no artigo sobre quem troca a capital pelo litoral.

Onde a apuração para

Três limites acompanham qualquer uso desses percentuais. O primeiro é de granularidade do indicador de nascimento: a lista de categorias da tabela 631 vai de Rondônia ao exterior sem uma linha para o próprio município, então os 36.965 nascidos no Rio Grande do Sul incluem qualquer pessoa nascida em qualquer cidade gaúcha, de Uruguaiana a Pelotas, ao lado de quem nasceu na própria Torres. Quantos moradores são torrenses de berço fica fora do alcance da apuração pública.

O segundo é de resolução da origem externa. A classificação para na unidade da federação nas duas tabelas, então os 3.283 nascidos em Santa Catarina e os 1.806 com residência anterior no estado vizinho valem como números de estado inteiro. Quantos deles vieram de Passo de Torres, de Araranguá, de Criciúma ou de Florianópolis é pergunta sem resposta em dado censitário público.

O terceiro é de calendário, e pesa mais em 2026. O Censo fotografou a população em 31 de julho de 2022, quase dois anos antes das enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul, e a pesquisa do IBGE sobre o desastre apurou quem mudou de endereço sem publicar o município de destino: as fontes estão reunidas no artigo sobre a migração pós-enchentes de 2024. Os percentuais deste texto valem como piso conhecido, com margem para cima.

O que a composição de origens muda para quem compra em Torres

Quem compara Torres com Capão da Canoa na hora de escolher onde comprar está olhando duas bacias de demanda com composições distintas por trás de produtos parecidos. Os 12.553 recém-chegados de Torres carregam 1.806 pessoas com endereço anterior em Santa Catarina, enquanto os 20.686 de Capão da Canoa se apoiam em 18.382 mudanças vindas de dentro do próprio Rio Grande do Sul. Sobre a demanda de Torres pesam dois calendários econômicos, e o segundo deles fica fora de qualquer apuração estadual gaúcha, o que faz da cidade um caso à parte na faixa de costa mesmo quando o produto imobiliário anunciado ali é o mesmo das vizinhas.

Fonte dos dados demográficos: IBGE, Censo Demográfico 2010 e 2022, consultado em 31/08/2026 no SIDRA, sistema de recuperação automática do IBGE. Tabela 4709 (população residente e variação absoluta 2010-2022), 631 (população residente por lugar de nascimento, variável 93) e 10158 (pessoas que residiam há menos de dez anos ininterruptos no município, por lugar de residência anterior, variável 13338). Os percentuais de nascimento e de residência recente têm como denominador a população residente de cada município em 2022. Contexto de saldo migratório estadual: caderno "RS no Censo 2022: Migração e Fecundidade", Departamento de Economia e Estatística da SPGG-RS, novembro de 2025.

Perguntas frequentes

Quantos moradores de Torres nasceram em Santa Catarina?

3.283 dos 41.751 moradores de Torres nasceram em Santa Catarina, ou 7,86%, segundo o Censo 2022 do IBGE. É a maior participação catarinense entre as sete cidades do litoral norte gaúcho, à frente de Xangri-Lá (5,81%), Arroio do Sal (4,78%), Capão da Canoa (3,71%), Imbé (3,16%), Maquiné (2,59%) e Tramandaí (2,48%).

A maioria da população de Torres é catarinense?

Não. No Censo 2022, 36.965 dos 41.751 moradores de Torres nasceram no Rio Grande do Sul, ou 88,54%, e 3.283 nasceram em Santa Catarina, ou 7,86%. Santa Catarina é a origem de fora do estado mais presente na cidade e responde por menos de um morador em cada doze.

De onde vêm os migrantes recentes de Torres?

Em Torres, 12.553 dos 41.751 moradores residiam no município havia menos de dez anos ininterruptos, ou 30,07%. Desses, 9.885 moravam antes em outro município do Rio Grande do Sul, ou 78,75%, o menor percentual do litoral norte gaúcho, onde a faixa vai até 94,41% em Maquiné. Entre os 2.668 que vieram de fora do estado, 1.806 tinham residência anterior em Santa Catarina, ou 67,69%.

Quanto Torres cresceu entre 2010 e 2022?

Torres passou de 34.656 para 41.751 habitantes entre os censos de 2010 e 2022, um acréscimo de 7.095 pessoas e crescimento de 20,47%. É o avanço mais moderado entre as cidades de praia do litoral norte gaúcho, e equivale a quase doze vezes o ritmo do Rio Grande do Sul no período, que foi de 1,77%.

Por que Torres tem mais catarinenses que Capão da Canoa ou Tramandaí?

Pela proximidade da divisa. Torres é o município gaúcho mais ao norte da faixa litorânea, separado de Santa Catarina pelo rio Mampituba, e registra 7,86% de moradores nascidos no estado vizinho, contra 3,71% em Capão da Canoa e 2,48% em Tramandaí. O Censo 2022 classifica o lugar de nascimento até a unidade da federação, sem informar de qual cidade catarinense essas pessoas vieram.