Costa Dorata

Espaço gourmet e salão de festas em condomínio

Dos 80 empreendimentos com ficha própria no catálogo do portal, 44 declaram espaço gourmet e salão de festas ao mesmo tempo, 14 declaram apenas o gourmet, 13 apenas o salão e 9 não declaram nenhum dos dois. O que separa os dois ambientes é a escala de uso: o gourmet cabe numa mesa de domingo, o salão precisa de cozinha de apoio, banheiro de visitante e lugar para o carro de quem chega.

Vista aérea da praia e dos prédios da orla de Capão da Canoa, cidade do Vivaz Residence em Capão da Canoa
Foto: Vista aérea da praia e dos prédios da orla de Capão da Canoa

Vale dizer de onde sai essa contagem: das fichas técnicas e listas de amenidades dos materiais oficiais de cada empreendimento, lidas uma a uma. Nenhum dos clubes foi visitado para este levantamento, e declarar é o verbo exato. Um condomínio pode ter o ambiente construído e não citá-lo no book, e lista de amenidades raramente é exaustiva. O que os 80 registros sustentam é o que cada incorporadora escolheu comunicar, e as diferenças de critério entre elas já dizem bastante.

Contar esses ambientes dá mais trabalho do que parece, porque a mesma ficha costuma espalhar a função por seções separadas. No Vivendas da Marina, em Osório, são dois espaços gourmet no Vivendas Club, de 3.000 m², e outros três no complexo esportivo: La Forneria e Marina Pub de um lado, Tennis Terrace, Le Cuisine e Gastrô Futebol do outro. Cinco ao todo. Na La Marina Reserva, em Maquiné, são dois espaços gourmet no clube, dois quiosques gourmet no apoio esportivo e o salão de festas da marina numa terceira seção. Quem lê só a primeira lista sai com metade da conta.

Espaço gourmet e salão de festas: o que cada um resolve

A distinção entre os dois fica nítida quando o material declara capacidade. No Vivendas da Marina, os dois gourmets do clube são dimensionados para 30 a 40 pessoas cada, o salão de festas principal para 120 e o segundo salão, entregue no lugar do restaurante previsto em projeto, para 130. No Epic Residence, em Capão da Canoa, o Espaço Festas do book é declarado para até 40 pessoas, voltado para o mar. Entre 40 e 130 convidados cabe um mundo de decisões: quantos banheiros, quanta louça, quanto estacionamento.

O espaço gourmet é o ambiente do convívio cotidiano: bancada, churrasqueira ou parrilla, forno, geladeira e mesa para a família ou um grupo pequeno. Costuma ficar colado nas piscinas, no paisagismo ou nas quadras, porque o uso é informal e emenda no lazer do dia. Daí a variedade de nomes que as fichas usam para a mesma função: quiosque gourmet, deck gourmet, lounge gourmet, gourmet da quadra, gourmet externo.

O salão de festas é o ambiente do evento, e o que o define no papel é o apoio que vem atrás dele: cozinha, banheiro de visitante, área de serviço. Cozinha industrial de apoio aparece declarada em apenas duas fichas do catálogo, a do Oxy, em Xangri-Lá, e a do Atlântida Ilhas Park, cujo clube tem cozinha industrial aberta para o salão. Nas outras, o material fala em cozinha equipada ou não desce a esse detalhe, e a diferença aparece no dia em que chega um buffet de 100 pratos.

Em oito fichas do catálogo os dois viram um ambiente só. O Cascais Soft Living registra "Salão de festas com área gourmet" na ficha técnica; o Doha Exclusive Living, "Salão de Festas com Gourmet"; o Mirador Playa Arenas traz um salão gourmet com churrasqueira e apoio. Barcelona Smart Living, Navagio Life Homes, NAU Marina & Moradas, VIZ Home Lake e o Edifício Joacir Martinello seguem a mesma fusão. Onde o ambiente é um só, o almoço de domingo e o aniversário de 60 pessoas disputam a mesma agenda.

Quantos metros quadrados o material declara

Metragem é rara. Dez das 80 fichas trazem o ambiente de receber medido em metros quadrados, e nove delas são de condomínios verticais de Capão da Canoa, onde a planta do pavimento de lazer costuma vir cotada no book. Nos horizontais, o número quase sempre falta.

Entre os salões declarados, a faixa vai de 32,30 m² no Kairós a 46,67 m² no Gênesis, passando por Rivazi Residencial com 38,76 m², Felicitá Residence com 39,77 m² e Gran Legado Residence com 40,75 m². O Residencial Anita declara dois, de 55,69 m² e 54,45 m², mobiliados e decorados. São dimensões de festa de família, na escala de algumas dezenas de convidados.

Entre os gourmets, o maior número cravado no catálogo é o do Four Seasons Residence, com 80,91 m² num ambiente só. O Titanium Residence soma 53,87 m² internos mais 20,45 m² de gourmet externo. O Único Residence parte a função em três, dentro de um rooftop de 450 m² com 14 espaços: varanda gourmet de 37,95 m², segunda varanda de 9,77 m² e churrasqueira americana de 4,00 m² junto à piscina. Entre os horizontais, o Lótus Atlântida é o que traz o número: dois espaços gourmet somando cerca de 245 m², com lounge externo coberto.

Nas fichas restantes o ambiente aparece nomeado e sem medida ao lado. A ausência do número diz pouco sobre o tamanho real e muito sobre o que foi publicado: a planta de áreas comuns é o documento a pedir antes de imaginar a escala do salão.

A estrutura de receber nos condomínios do litoral norte

Os números por empreendimento variam mais do que o vocabulário do material de venda sugere. Alguns exemplos, com a contagem somada de todas as seções da ficha.

No Royal Lake, em Xangri-Lá, a lista do clubhouse traz dois salões de festas e restaurante, ao lado de piscina térmica, praia de areia dentro da piscina, fire place na borda d'água, sala de jogos com boliche e centro de estética. O espaço gourmet ao ar livre aparece nas imagens do clube, sem entrada própria na lista oficial de amenidades, o que é um bom lembrete de que render e ficha técnica nem sempre contam a mesma história.

A RARO, também em Xangri-Lá, divide a função entre duas seções da ficha: dois espaços gourmet no Clube Península, implantado sobre o lago, e o Sport Lounge, um lounge gourmet com fogueira, no complexo esportivo. Somando as duas listas, são três ambientes gourmet, e o terceiro deles foi desenhado para a noite.

O Seasons, em Xangri-Lá, é o único dos 80 cuja ficha declara portaria independente e acesso restrito de visitantes para o salão de festas. O detalhe resolve um problema concreto: o convidado que chega para a festa não precisa atravessar a área residencial. O clube social do condomínio passa de 3.300 m² para 225 proprietários e reúne restaurante, espaço gourmet, pool restobar e espaço fitness de 178 m².

O Oxy concentra três salões de festas e dois quiosques gourmet no Club House de 2.137,72 m², e acrescenta uma área gourmet no Club House Esportivo, de 161,64 m²: três ambientes gourmet no total, de novo espalhados por duas seções. O Livin, em Atlântida, declara seis salões de festas dentro de 3.000 m² de lazer, a maior contagem de salões do catálogo.

O Allegro, em Capão da Canoa, reúne gourmet, salão de festas e deck à beira do lago com parrilla no House Club, com academia e piscina térmica em um Fitness Club separado. O Markho Life Complex, também em Capão da Canoa, coloca sala de eventos e salão de festas no Business Center, ao lado de duas salas de reuniões, fitness indoor e ao ar livre e solarium panorâmico, num arranjo voltado a quem usa o imóvel também para trabalho.

Há ainda os projetos que deslocam o eixo para gastronomia operada. O Pulse Resort Experience, em Capão da Canoa, organiza a área de receber em restaurante, gourmets com varanda e quiosques, sem salão de festas na ficha. A Enseada Lagoa dos Quadros, na mesma cidade, soma ao restaurante envidraçado voltado para a lagoa um estar social e um empório de produtos naturais. Nos dois, a hospitalidade é serviço contínuo, com horário de funcionamento em vez de agenda de reserva.

Churrasqueira e parrilla: a função gaúcha de receber

Churrasqueira e parrilla merecem leitura à parte, porque é fácil confundi-las com espaço gourmet na hora de ler uma ficha. Quiosque com churrasqueira resolve o assado ao ar livre; o aniversário de julho com chuva pede parede, cobertura e banheiro por perto. As duas coisas aparecem no mesmo material com nomes parecidos.

O Verano Xangri-Lá é um bom teste da distinção. A ficha lista quiosques com churrasqueira e um restaurante com lounge, e não declara espaço gourmet nem salão de festas. É um dos nove empreendimentos do catálogo sem nenhum dos dois ambientes declarados, ao lado de Domênico Home & Club, Enseada Lagos de Xangri-Lá, Grand Lake Osório, Harmony, Edifício João Alves Diniz, Santé Beach Home, Scenario Design Resort e ZAYA Design Suites. Em parte deles a função de receber aparece com outro nome; em parte, o material simplesmente não desce a esse nível.

A escala também varia bastante dentro de um mesmo projeto. O Allegro posiciona a parrilla no deck à beira do lago. O Único Residence guarda uma churrasqueira americana de 4,00 m² junto à piscina do rooftop e um BBQ Sunset de 22,27 m² alguns metros adiante, mais de cinco vezes maior. Bancada, ponto de água e posição em relação ao vento separam o ponto de assar do ambiente onde se passa a tarde, e isso se observa melhor na visita do que na planta.

O que essa estrutura representa para a valorização

Antes de virar conversa de valor, a estrutura de receber é obra construída e área rateada. Os números do catálogo dão a dimensão do que se está comprando junto com o lote ou o apartamento: o clube social do Seasons passa de 3.300 m², o Vivendas Club tem 3.000 m² e o lazer do Livin também, o Club House do Oxy tem 2.137,72 m² e o rooftop do Único Residence, 450 m² divididos em 14 espaços. Nenhuma dessas áreas é privativa, e todas entram no rateio da taxa condominial depois da entrega.

O efeito prático para o comprador é de metragem economizada. Um salão comum de 40 m² e um gourmet de 50 m² são espaços que a casa ou o apartamento deixam de precisar construir e climatizar o ano inteiro para usar em meia dúzia de datas. Nos verticais isso pesa mais, porque cada metro privativo entra direto no preço da unidade, o que ajuda a explicar por que são justamente os prédios de Capão da Canoa que publicam a metragem do salão no book.

O movimento acompanha a própria expansão da região. Entre o Censo de 2010 e o de 2022, a faixa costeira cresceu cerca de 25,87% em população, um salto bem acima da média estadual, segundo levantamento que aponta o litoral norte como líder de crescimento populacional no Rio Grande do Sul. Mais gente morando o ano todo significa salão disputado em julho, com a agenda saindo das duas semanas de janeiro em que o litoral enche e se espalhando pelo calendário.

Cinco checagens na ficha de amenidades

Na prática, cinco perguntas dão conta de quase tudo o que uma lista de amenidades deixa de fora:

  1. Conte os ambientes seção por seção. O Vivendas da Marina lista dois gourmets no clube e três no complexo esportivo; a La Marina Reserva, dois no clube e dois no apoio esportivo; a RARO, dois no Clube Península e um no complexo esportivo. Somar as listas separadas muda a conta em até metade.
  2. Peça a metragem. Só dez das 80 fichas trazem o número, da faixa de 32,30 m² no salão do Kairós aos 80,91 m² no gourmet do Four Seasons Residence. Onde ele falta, a planta de áreas comuns é o substituto.
  3. Verifique a cozinha de apoio. Cozinha industrial aparece declarada em apenas duas fichas, Oxy e Atlântida Ilhas Park. Sem ela, o buffet de um evento grande passa a depender de estrutura trazida de fora.
  4. Veja por onde entra o convidado. Só o Seasons declara portaria independente e acesso restrito de visitantes para o salão. Nos demais, quem vem para a festa entra pela portaria de todo mundo.
  5. Compare a capacidade com a sua lista. O Espaço Festas do Epic Residence é declarado para até 40 pessoas; o salão do Vivendas da Marina, para 120. Uma festa de 60 convidados cabe em um e não no outro.

Falta uma ressalva, e ela vale por todas as metragens acima. Nenhuma das 80 fichas do catálogo declara como o salão é reservado: não há agendamento, taxa de uso, limite de convidados nem responsabilidade por limpeza escritos no material de venda de nenhum empreendimento. Esses dados nascem depois, na convenção de condomínio e no regimento interno, aprovados em assembleia com o condomínio já instalado. Em empreendimento em construção, portanto, quem decide pelo salão está comprando uma promessa de acesso, não uma garantia de agenda. Em condomínio pronto, o documento já existe e pode ser pedido antes da assinatura, junto com o panorama do club house: pergunte quantos sábados de janeiro já estão tomados e por quantos anos vai a fila.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre espaço gourmet e salão de festas em condomínio?

O espaço gourmet é o ambiente de receber em escala cotidiana: bancada, churrasqueira ou parrilla, forno, geladeira e mesa, para um almoço de domingo ou um jantar com poucos convidados. O salão de festas é o ambiente de evento, com cozinha de apoio, banheiro de visitante e capacidade para dezenas de pessoas. A diferença aparece na capacidade declarada: no Vivendas da Marina, em Osório, os gourmets do clube são dimensionados para 30 a 40 pessoas cada e o salão principal, para 120. Dos 80 empreendimentos com ficha própria no catálogo do portal, 44 declaram os dois ambientes, 14 declaram apenas o gourmet e 13 apenas o salão.

Espaço gourmet e salão de festas valorizam o imóvel?

Não há como atribuir um percentual de valorização a uma amenidade isolada: nenhum dado disponível separa o efeito do salão de festas do efeito da localização, do tamanho do lote ou do estágio da obra. O que se pode afirmar é o efeito de metragem economizada. Um salão comum de cerca de 40 m² e um gourmet de 50 m² são espaços que a unidade privativa deixa de precisar construir para usar em poucas datas por ano, e nos condomínios verticais isso pesa mais, porque cada metro privativo entra direto no preço. Em contrapartida, essa área é obra rateada na taxa condominial: o clube social do Seasons passa de 3.300 m² e o Club House do Oxy tem 2.137,72 m².

Quais condomínios do litoral norte do RS têm espaço gourmet e salão de festas?

Quarenta e quatro dos 80 empreendimentos do catálogo declaram os dois ambientes. Entre eles: o Royal Lake, em Xangri-Lá, com dois salões de festas e restaurante no clubhouse à beira do lago; o Livin, em Atlântida, com seis salões de festas em 3.000 m² de lazer, a maior contagem do catálogo; o Oxy, em Xangri-Lá, com três salões e três ambientes gourmet somados entre o Club House e o Club House Esportivo; a RARO, também em Xangri-Lá, com dois espaços gourmet no Clube Península mais o Sport Lounge no complexo esportivo; o Seasons, com salão de festas de portaria independente e espaço gourmet no clube social de mais de 3.300 m²; o Allegro, em Capão da Canoa, com gourmet, salão de festas e deck à beira do lago com parrilla; e o Markho Life Complex, na mesma cidade, com sala de eventos e salão de festas no Business Center.

Por que vale ter área de receber no condomínio se a casa já tem espaço gourmet?

Porque os dois resolvem escalas diferentes. O gourmet da casa atende o dia a dia e as reuniões pequenas; o salão do condomínio atende o evento maior, com louça, cozinha de apoio, banheiro de visitante e estacionamento que a residência não precisa manter ociosos o ano inteiro. A economia é de metragem privativa: um salão comum de 40 m² é área que a casa deixa de construir para usar em poucas datas. Vale checar antes se o ambiente do condomínio é um só: em oito fichas do catálogo, entre elas Cascais Soft Living, Doha Exclusive Living e Mirador Playa Arenas, o salão de festas e o gourmet são o mesmo espaço, e passam a dividir a mesma agenda.

Como funciona a reserva do salão de festas em condomínio fechado?

A reserva é regida pela convenção e pelo regimento interno, que definem agendamento, taxa de uso, limite de convidados, horário e responsabilidade por limpeza e eventuais danos. Nenhuma das 80 fichas de empreendimento do catálogo traz essas regras, e isso é esperado: elas são aprovadas em assembleia depois que o condomínio é instalado, então em obra ainda não existem. Em condomínio pronto, o documento pode ser pedido antes da assinatura. Vale perguntar também por onde entram os convidados: só o Seasons declara portaria independente e acesso restrito de visitantes para o salão.